quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O ocaso do acaso.


Há muitos séculos atrás um sábio chamado Hermés, o Trismegisto ou o três vezes ungido ou três vezes sábio escreveu em seu espetacular livro chamado hoje de “Os Princípios Herméticos”, que o Acaso não existe. Ele é apenas um efeito produzido por uma causa através de uma lei ou regra que desconhecemos.

Portanto, ao girar uma roleta de cassino (supondo-a honesta, sem falcatruas), a bolinha ao perder rotação escolhe uma casa numerada onde parar. A esse acontecimento os espectadores ansiosos darão o nome de sorte ou azar conforme seus interesses. Daí conclui-se que foi totalmente ao acaso que caiu numa casa vermelha ou preta, nesse número ou naquele.

São muitos os parâmetros físicos que interferem nessa “escolha” da bolinha, como força aplicada a roleta, velocidade de rotação, ponto onde a bolinha foi solta no início, atrito na superfície, atrito com o ar, distribuição do peso da bolinha, seu tamanho, etc. Enfim, são tantos pontos a considerar que se define o número "sorteado", um acaso.

Se fosse possível controlar todas essas variáveis através de computadores e sensores, seria possível descobrir as leis envolvidas nesse sistema roleta-bolinha de tal forma a poder prever com precisão onde a bolinha cairá.

Assim a bolinha não caiu ao acaso, mas seguiu regras da física implícitas nos movimentos e condições do evento. O fato de conseguirmos controlar todas as variáveis ou não, não muda o fato de que as leis da física continuaram funcionando.

Assim, se dá com um cometa que nasça ou parta da nuvem de Oort. Se ele foi formado e escapou para orbitar o Sol, não foi ao acaso, houve uma causa e uma lei que regulamentou esse efeito.

Trazendo do macro para ao microcosmo, se um de nós resolver beber um pouco de água, vai ter que usar o braço para apanhar um copo. Movimento que não foi produzido pelo acaso, mas pelo arbítrio humano estimulado pela sede. Se fossemos uma bactéria, que vivesse na pele deste braço em movimento, diríamos (desde que bactéria pensasse), que estaríamos viajando sem entender o porque da ação. Classificaríamos como sorte ou azar da bactéria dependendo, do resultado que esse movimento produzisse para ela.

Nosso desconhecimento daquilo que nossos sentidos não podem perceber, daquilo que nossa mente não consegue conceber ou mesmo avaliar é facilmente taxado de sorte ou de azar.

O viajante que perdeu o voo por atraso do táxi e que ainda lamentando-se no aeroporto recebe a noticia que o avião sofreu um acidente. Que sorte! Diria ele. Que azar! Diria quem embarcou.


O fato de acreditarmos somente naquilo que vemos e podemos provar, chama-se ciência. Quando vamos além disso podemos chamar de Filosofia, aí dependendo da sorte Filosofia vira ciência. Ou não?!

Há uma infinidade de coisas que percebemos, cheiramos, olhamos, sentimos e um universo ainda maior, tanto que é infinito, de coisas que acontecem e das quais não temos a menor noção. Tudo isso interage, tudo está ligado com tudo como dizia da Vinci, por isso o "acaso" permeia o Universo.

Tal qual a bactéria no braço não entende o porquê do movimento, nós aqui no Brasil podemos nem notar as violentas tempestades que acometem a Europa Ocidental, produzindo enormes ondas e maremotos.

Tudo que se faz, se pensa ou fala gera um efeito. Nem sempre se percebe isso, mas é inevitável. Há 30 anos atrás fiz uma boa ação. Ontem ganhei um presente na rifa e achei muita sorte. Neste caso por exemplo, havia uma conexão. O desconhecimento levou ao acaso.

Nessa complexidade de causa e efeito que a Gupta-Vidya chama de Karma é possível achar os liames? Se tentar "chutar" será uma possibilidade de acertar contra uma infinita de errar. Respondendo: é possível, em uma boa parte das relações encontrar a causa relativa ao efeito, principalmente quando se refere a você mesmo. Mas, isso fica para uma próxima oportunidade que deixarei por conta do acaso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Bem-Aventurança

Bem-Aventurança
Divina Comédia - Gustave Doré