O conhecimento transcendente ou chamado esotérico para que
seja assimilado verdadeiramente (não apenas decorado) precisa necessariamente
de uma pessoa livre-pensadora.
Isso é uma condição aparentemente simples, mas não é nada, nada comum. Livre-pensador significa alguém, que não seja cético e nem fanático por nada. Que tenha mente aberta e destituída de preconceitos e que esteja disposta e colocar seus princípios e conhecimentos em cheque sempre que necessário.
Nós somos formados por muitos preconceitos, superstições e até mesmo por conhecimentos científicos, que viram dogmas e então, não se contesta mais, até que um desavisado pesquisador traga dúvidas ou explicações mais condizentes. Novas teorias e novos paradigmas.
A mente filosófica é essencial para que se tente enxergar além das linhas escritas, para que se busque a alma do autor ou com sua ajuda ir até mesmo, além dela. Filosofia no meu entendimento, é muito maltratada nas escolas, tornando-se, às vezes, enfadonha pela forma como é ensinada. Filosofia não é decorar quem foi este ou aquele filósofo e suas escolas, mas entendê-los e até superá-los. Mais do que isso filosofia é uma espécie de meditação para buscarmos conhecimento nas coisas, que ainda não estão nos livros da ciência. Sem ela a própria ciência não existiria como a conhecemos.
A meditação no “Conhecimento Revelado” é fundamental, para que este, algum dia, se torne sabedoria, o que só irá acontecer quando seus preceitos se fundirem na Alma do homem. Quem sabe e não faz, não é (dizia um Grande Mestre).
Meditação não é contemplação. Contemplação é um estado místico que nos leva ao divino pelo coração, enquanto a meditação nos leva pela mente (e não somente a racional). Ambos os caminhos são importantes e precisam ser trilhados.
O processo da meditação é uma forma de pensar suavemente e focar firmemente num tema, usando a analogia como ponte e o raciocínio até certo limite. Depois de um determinado ponto, a mente como conhecemos se expande em direção a um atributo que lhe é muito superior e que chamamos aqui de Intuição.
Daí sim, começamos a vislumbrar ideias, símbolos ou verdades que não conhecíamos. Uma espécie de autoconhecimento espontâneo, que se nos parece irreal hoje, lembremo-nos dos grandes Filósofos do passado, que observando e meditando (filosofando), abriram as portas do enorme conhecimento que possuímos atualmente.
A atual pressa em se obter respostas não funciona bem com a Gupta-Vidya. Não me sinto confortável em usar o termo “conhecimento esotérico”, porque este termo tem sido achincalhado de tal maneira, que envergonha quem dele trate com a devida seriedade e respeito.
A sociedade das tags, dos vídeos de tutoriais de 2 minutos, dos resumos literários etc. terá imensa dificuldade de obter avanços espirituais. A crença dogmática pura e simples não é um caminho, que proporcione a autorrealização que a LEI divina busca no homem, seja ele da religião que for, ou de nenhuma.
Temos que ter a liberdade de pensar e avaliar e depois de nos darmos o justo tempo de análise, aceitar ou não o que se ouve ou se lê.
Sabedoria não pode ser imposta ou ensinada, ela é conquistada. E não é via porta larga e sim pela porta estreita. Vide Mateus e o próprio Cristo.
Por isso, para obtê-la é necessário subjugar os maus instintos,
que ainda sobrevivem no homem e transformá-los em uma força muito superior.
Caminho esse que exige um sacrifício. Não tormentas físicas ou autopenitencias,
mas apenas aprender o que é certo e uma vez convencido deste, deixar de cometer
estes erros.
Todos que tentam esse caminho sabem como é difícil. Sacrifício tem sua origem em “Sacro Faccio” ou tornar sagrado. Mas é um sacrifício que evita aqueles recorrentes dos nossos desajustes com o Karma Universal. Os que trazemos de vidas em vidas e que nos fazem achar que a própria vida é um sofrimento sem fim. Não é para ser assim. “Quanto mais pesado fizeres o mundo, mas ele pesará sobre ti”. Não é verdade?