Qualquer indivíduo que busque descobrir algo, tem que se
apoiar naquilo que conhece.
Mesmo tratando-se de ciência, onde as comprovações
tem caráter de evidência, física ou matemática, corre o risco, qualquer
pesquisador, de desenvolver um trabalho baseado em teorias falsas.
Saindo da ciência para a filosofia esse risco fica ainda mais
forte. Um filósofo tem que ter um grande conhecimento dos pensadores antigos ou
contemporâneos, suas ideias e seus preceitos. Porém, se quer realmente descobrir
a verdade (sempre relativa abaixo do UM) sobre qualquer coisa, tem que ser
desapegado o suficiente de seus próprios dogmas a ponto de deixá-los de lado se
necessário for.
Por isso, os anjos de barro que trazemos, muitas vezes, terão
que ser quebrados e de seus pedaços reconstruiremos outros, não os mesmos, mas
outros, mais verdadeiros, ainda que não necessariamente os "genuinamente" verdadeiros.
Quem começa nesse caminho sente o pesar de ver seus anjos de
barro ou suas crenças serem despedaçados. Com elas vai-se a conformidade, que
dava uma sensação de segurança e tranquilidade (ou seria apatia?). Mais ou
menos como uma criança, que com medo, cobre a cabeça com o cobertor. Se você
disser para ela, que isso realmente não a torna imune aos perigos, como ela vai
se sentir?
Bem ,está certo, trata-se
de uma criança, mas se for um adulto? Se um adulto perceber que estava se
segurando em falsos apoios, o que deve ele fazer, senão buscar terra firme? E
aonde ele começa a buscar? Onde está o mapa?
Parece lugar comum dizer “busque dentro de você”. Mas, é bem
mais fácil procurar fora. Embora, se assim fosse, muitos teriam achado. Poder-se-ia
perguntar: como eu vou encontrar algo em mim, se eu não sei?
Como eu escrevi num outro artigo: MIM quem? EU quem? “Homem,
decifra-me ou Eu te devoro” diria a Esfinge do Nilo aos que seu frontispício enfrentavam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário