segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nossos anjos de barro.

Qualquer indivíduo que busque descobrir algo, tem que se apoiar naquilo que conhece.

Mesmo tratando-se de ciência, onde as comprovações tem caráter de evidência, física ou matemática, corre o risco, qualquer pesquisador, de desenvolver um trabalho baseado em teorias falsas.

Saindo da ciência para a filosofia esse risco fica ainda mais forte. Um filósofo tem que ter um grande conhecimento dos pensadores antigos ou contemporâneos, suas ideias e seus preceitos. Porém, se quer realmente descobrir a verdade (sempre relativa abaixo do UM) sobre qualquer coisa, tem que ser desapegado o suficiente de seus próprios dogmas a ponto de deixá-los de lado se necessário for.

Por isso, os anjos de barro que trazemos, muitas vezes, terão que ser quebrados e de seus pedaços reconstruiremos outros, não os mesmos, mas outros, mais verdadeiros, ainda que não necessariamente os "genuinamente" verdadeiros.

Quem começa nesse caminho sente o pesar de ver seus anjos de barro ou suas crenças serem despedaçados. Com elas vai-se a conformidade, que dava uma sensação de segurança e tranquilidade (ou seria apatia?). Mais ou menos como uma criança, que com medo, cobre a cabeça com o cobertor. Se você disser para ela, que isso realmente não a torna imune aos perigos, como ela vai se sentir?

Bem ,está certo, trata-se de uma criança, mas se for um adulto? Se um adulto perceber que estava se segurando em falsos apoios, o que deve ele fazer, senão buscar terra firme? E aonde ele começa a buscar? Onde está o mapa?

Parece lugar comum dizer “busque dentro de você”. Mas, é bem mais fácil procurar fora. Embora, se assim fosse, muitos teriam achado. Poder-se-ia perguntar: como eu vou encontrar algo em mim, se eu não sei?

Como eu escrevi num outro artigo: MIM quem? EU quem? “Homem, decifra-me ou Eu te devoro” diria a Esfinge do Nilo aos que seu frontispício enfrentavam.

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