O Universo luta pelo equilíbrio através da polaridade que o
desequilibra. O Universo só existe porque foi polarizado. Parece um contrassenso.
Poderíamos resumir de forma simplista que o objetivo da vida
é buscar o equilíbrio, ou em outras palavras a neutralidade. Essa neutralidade não significa passividade, significa total controle da polaridade.
Somos forçados desde nossa geração – digamos somente para simplificar, que tudo começa na geração do embrião no útero – a lutar entre forças opostas e
vencer a inércia a todo e qualquer movimento ou ação. Luta-se muito no inicio, para nascer, viver ou sobreviver e depois também para nosso aprimoramento físico,
emocional, mental e espiritual.
Na luta entre os extremos, com muita frequência visitamos suas
residências, indo como pêndulos à direita ou à esquerda, da euforia à
depressão, da alegria à tristeza, da escassez ao excesso, etc.
Esse movimento pendular, oscilatório, provoca após a inclinação para um lado, a reação
imediatamente contrária, para o lado oposto, sempre regida por leis físicas, emocionais, mentais e
espirituais, sendo essas últimas; as leis do espírito, mandatórias e superiores às outras, na medida em que as Leis Universais se subordinam às Leis Espirituais
ou Divinas. A essa reação chama-se Karma. Que enfim não é necessariamente bom
nem mau, senão apenas justo e compensatório.
Se pensarmos que antes do big-bang ou seja lá qual for o
momento que preceda a origem do universo, havia algo, seja esse algo nominável
ou não, seja um caos absoluto, um nada absoluto ou um tudo absoluto, uma coisa é
certa, ele estava em equilíbrio. Como o representa o número zero. Pode-se multiplicar
qualquer coisa por ele, que ele se mantém inalterado.
Desta forma o Universo vem de um equilíbrio estático a
buscar um equilíbrio dinâmico. Falamos de universo, mas igualmente podemos falar dos
homens.
Um vidro hermeticamente fechado contendo um líquido na
temperatura ambiente evapora? Aparentemente não, mas na verdade sim. Porém,
estando no ambiente fechado como não se altera a concentração de seus
componentes (massas), ocorre a evaporação e na mesma medida a condensação de
tal forma que parece não evaporar.
Um químico francês chamado Henry Louis Le Chatelier
desenvolveu um princípio que hoje leva o seu nome e que trata de como prever o
que irá acontecer a um sistema em equilíbrio quando for perturbado por algo que o leve ao desequilíbrio.
Seu trabalho conclui que quando um sistema em equilíbrio é
perturbado ele reage automaticamente no sentido de anular esse efeito que o
perturbou, procurando retornar ao equilíbrio primordial.
Quimicamente são 3 os vetores que podem alterar o equilíbrio:
temperatura, composição dos participantes da solução e a pressão do sistema.
Por exemplo: se numa reação química aumenta a concentração
de um participante a reação aumenta no sentido que ele é consumido, e se ele
diminui aumenta no sentido que é produzido. Se a temperatura aumenta, aumenta a
reação que produz consumo do calor e no caso de redução aumenta a reação que
produz calor.
Ainda falando de química e equilíbrio, o monóxido de carbono,
gás inodoro e incolor produzido pela queima parcial de, por exemplo,
combustível fóssil ou lenha, se inalado, ao chegar ao sangue une-se de forma
muito mais estável com a hemoglobina do que o oxigênio ou gás carbônico. Assim
liga-se a hemoglobina tão fortemente, que esta não consegue mais transportar o
oxigênio ou o gás carbônico responsáveis pelo processo da respiração e da vida.
O CO (Monóxido de carbono) existe livre na atmosfera. As moléculas de CO que inalamos e acabam por inutilizar as hemácias presas a elas são então destruídas pelo baço e pelo fígado, mas, à partir de uma certa concentração
esses dois órgãos não conseguem dar conta e começam sintomas que vão de
tonturas à morte em pouco tempo.
Fica evidente que nosso corpo físico está equipado para
resistir aos nossos desequilíbrios e tentar reequilibrá-lo, mas se exagerarmos
no movimento pendular comprometemos o equilíbrio do sistema. E tudo isso
funciona sem que nos demos conta.
Se sentirmo calor transpiraremos para esfriar e se estiver muito frio iremos tremer para esquentar. Os sistemas nervosos autônomos, simpático e parassimpático controlam muitas funções do organismo como batimento cardíaco, pressão arterial ou nível de CO2 no sangue, sem que percebamos. Se o equilíbrio psico-mental no homem estivesse 100% tudo isso funciona às mil maravilhas (ou seria 1001?). Já do contrário, como é comum nessa vida atribulada que levamos, esse compensador automático biológico pode desregular-se e daí advém as doenças. Como disse o médico inglês Edward Bach, " não existem doenças e sim doentes". Só essa frase já vale uma reflexão e tanto.
Assim, quimicamente, fisicamente, biologicamente, astronomicamente, "qualquercoisamente", a busca pela neutralidade parece ser uma condição incontornável no Universo.
Deixe uma lavoura abandonada que em breve o mato tomará conta, buscando um ponto de equilíbrio com muitas espécies diferentes. Parece que ele busca o Caos. A natureza sozinha aumenta o grau de entropia. A entropia absoluta gera o Caos absoluto e caos absoluto gera equilíbrio. Equilíbrio absoluto estático.
O homem na natureza a organiza e reorganiza (ao menos deveria) e deve buscar o equilíbrio dinâmico. Como é dinâmico, depende de ação contínua e do desprendimento de energia. Perde energia, mas ganha Consciência.
Como disse um grande Mestre: "Viver é transformar vida energia em vida Consciência".