terça-feira, 24 de março de 2009

O homem é um animal racional?

O homem em geral não pode ser chamado de racional, pois, racional é quem faz o uso da razão e desencadeia um processo chamado de silogismo. Razão é distinguir o bem do mal, mas, mais que isso, o Certo do Errado. Logo, poucos raciocinam corretamente.

Pensar é uma coisa, raciocinar é bem outra. O homem é um ser pensante. Racional, nem todos o são.

Pensa o que quer, um ser evoluído, pensa o que se deseja o homem comum e para esse sobram também os pensamentos alheios, sejam eles inteiros ou fragmentos. Neste caso a pessoa não se concentra, pois sua mente está mergulhada num "mar de pensamentos" externos.

O homem é um animal pensante. Alguns são racionais. Quase nenhum é supra-mental.
A chance é igual para todos, cada um se posiciona onde quer, ou onde deseja.

Altruísmo e Egoísmo.

Egoísmo de acordo com o Dicionário Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo) tem os seguintes significados:

1. amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios;

2. conjunto de propensões ou instintos que levam à conservação do indivíduo.

A primeira acepção nos revela um significado negativo, enquanto que a segunda nos inclina a aceitar o egoísmo no contexto da própria sobrevivência, portanto positivo.

Este é um exemplo claro, ao alcance de um simples click do mouse no dicionário on-line, que reflete a relativização dos conceitos. Mesmo o egoísmo que num primeiro momento se mostra algo totalmente ruim ou um mal, na segunda acepção torna-se um bem.

Daí porque um candidato a iniciação não pode se prender a dogmas e deve a todo o momento meditar sobre as informações que recebe.

Voltando ao segundo significado, da conservação do indivíduo, podemos deduzir com uma lógica inversa, que sem um mínimo de egoísmo o indivíduo morre. Interessante consideração que merece uma reflexão mais prolongada. Mas não agora.

Altruísmo e egoísmo são dois pólos entre os quais o homem normal oscila. Altruísmo é a dedicação à vida do próximo, é pensar mais no outro que em si mesmo é dar algo sem querer nada em troca. Tomado ao extremo, o altruísmo leva o indivíduo a desprezar a si mesmo a tal ponto de se tornar um tolo, muitas vezes, se cair nas mãos de um espertalhão.

Egoísta ao extremo torna o homem num monstro, bastante comum na sociedade moderna, que usa os demais somente em seu benefício, como dizia o rei da França, Luis XV: “Après moi le déluge!”, ou traduzindo: “Depois de mim, que venha o dilúvio!”.

A chave do Caminho, da Senda, sempre se encontra em andar no fio da navalha, como pregava Gautama, o Budha, no caminho do meio ou da Equanimidade.

Equanimidade significa o mesmo ânimo (alma) nos momentos tristes ou felizes. Significa comportamento equilibrado e como tal, vinculado ao conceito de justiça. Dar a quem mereça e, portanto não dar a quem não faça jus do benefício.

Equanimidade é impulsionada pela Vontade. O egoísmo pelo Desejo. Sempre a mesma luta, sempre no campo de Kurukshetra como expresso no poema épico Mahabharata. Kurus ou Kauravas versus Pandavas, Mal versus o Bem, ou Egoísmo versus Altruísmo, ou Desejo versus Vontade, etc. etc.

terça-feira, 17 de março de 2009

Iniciação e Religião.

Religião provém do latim religare, que significa unir ou reatar. Reatar um vínculo perdido. Neste escopo específico ambas, Iniciação e Religião se aproximam.

A Religião trabalha sustentada por crenças e dogmas, que via de regra não devem ser desafiados. Religião enfoca mais aspectos místicos e morais do que intelectuais, enquanto Iniciação não prescinde nem de um, nem do outro.

Iniciação baseia-se em conhecimentos, conceitos e práticas, que devem ser submetidas ao crivo da razão. O processo de análise do conhecimento compreende tanto o silogismo (lógica) como o analogismo. Ambos devem ser frutos de uma meditação (não contemplação) dedicada, que executada da forma correta, leva o indivíduo a ter a compreensão de fatos de nosso mundo, ou entendimento profundo de conhecimentos revelados de uma forma, digamos, intuitiva, para quem perscruta a Verdade sem pré-conceitos ou preconceitos mal formados. Pior que mal formados, mal pensados, se podemos expressar assim.

O conhecimento meditado é a chave da compreensão. Compreensão não exprime bem o que seja tomar Consciência de algo. É muito alem da crença comum. É quase tornar-se um com o objeto analisado. É uma forma de pensamento envolvente, expansivo e que permeia os vazios que a nossa mente racional comum não consegue fazê-lo.

Rituais teúrgicos ou liturgia religiosa, ambos são o suporte para que o homem desenvolva seu lado místico (mística, não misticismo). A Mística a que nos referimos é o Amor transcendente, Amor altruísta. Sentimento ligado à compaixão sem abrir mão da justiça.

Helena P. Blavatsky já dizia, não há religião superior à Verdade. A obtenção dessa Verdade vem do trabalho interno, da mudança de comportamento, da busca pela perfeição. Quanto mais se avança nesse caminhar, quanto mais se equilibra Mente e Emoção, mais cristalina e pura elas se tornam. É como um lago que se acalma e transformando-se num espelho da Alma, passa a refletir o Céu com perfeição.

Isso é religar. Unir ou reunir o homem com o Deus interno, não pela crença, mas pela Consciência.

Skandhas e Nidhanas.

São duas palavras com origem sânscrita, cujas traduções aproximadas são: tendências positivas e tendências negativas. Ou minimizando, poderíamos chamá-las de acertos e erros.

De vidas em vidas o homem reencarna em busca da redenção da ALMA, ou na transformação de Nidhanas em Skandhas. Aos não habituados a essa terminologia, podemos compará-las a Hábitos e Vícios. Em outras palavras, são atitudes, pensamentos e emoções, que repetimos com o tempo e que nos conduzem a evoluir, estagnar ou mesmo retroceder.

A repetição não se restringe a uma única vida. Esse “código genético” da ALMA que é responsável em última análise, pelo caráter genético do corpo físico, reencarna com o indivíduo e se manifesta durante a vida quando estimulado através dos cinco sentidos e da mente.

Necessariamente um erro não nasce ao acaso. Pode ter sido um acerto no passado, mas por razões da métrica evolutiva do Criador, é considerado erro no presente.

Imaginemos um homem de Neanderthal, que para proteger sua família tinha que ferir ou agredir um invasor em sua caverna. Quem invadia o fazia por achar que era certo. Quem lá já estava defendia seu terreno, sua família. Como não tinham argumentos e educação para negociar, muito mais até, nem uma mente racional tão desenvolvida como a que o homem atual dispõe, a saída para a LEI que regula o desenvolvimento humano era tolerar esse comportamento.

Esse homem reencarnou e evoluiu até os dias atuais. Desde então, muitos educadores, grandes sábios e pensadores (além de Seres com uma Consciência Superior), vem criando conceitos e desenvolvendo uma ciência social, que vai orientando a sociedade para um convívio ideal. Estamos muito longe do mundo platônico, socrático e aristotélico, embora esses tenham vivido há quase 1.500 anos atrás. Mas, somos hoje do ponto de vista intelectual e científico muito melhores do que um de Neanderthal, um hitita, um acadiano ou um viking.

Como numa escola, a cada grau escolar alcançado, o aluno passa a ser julgado e avaliado através de critérios diferentes. O que é exigido de um aluno do 1º grau é muito diferente do que se exige de um universitário. Um erro tolerado de uma criança, não o será mais tolerado na vida adulta. Assim é a Evolução. Ela determina padrões de julgamento condizentes com padrões estabelecidos ou arquétipos, que definem um novo ciclo, uma nova etapa.

O problema de todo vício é o desejo de perpetuar-se. O erro deseja persistir. A Vontade deve contê-lo. É importante lembrar que diferentemente de outras aquisições da vida material, uma vitória nesse campo de batalha irá reencarnar. E para ser justo, uma derrota também.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Vontade e Desejo.

Podem parecer sinônimos, mas dentro de um conceito iniciático são termos bem diferentes.

Duas palavras parecidas que se ligam a outras quatro, frequentemente confundidas, porém, cujos significados têm uma enorme diferença para aquele que deseja, digo, quer, dominar a roda de vidas e mortes.

Vontade e Desejo se ligam aos pares “Certo e Errado” e “Bem e Mal”, respectivamente.

“Certo e Bem”, nem sempre caminham no mesmo sentido, quando o assunto é evolução da Consciência. Representa um bem a uma criança não tomar uma injeção, por exemplo, quando está doente. Pergunte a ela. Por quê? Porque ela não tem Consciência da importância dessa ação para sua saúde. A injeção dói, logo, ela sente ser um mal.

De certo para a criança é um mal. Por outro lado esse mal é certo, correto. Sem a injeção ela sofrerá muito mais e terá mais prejuízos, que a dor da picada naquele instante.

Se o pai dessa criança disser: Ela não quer tomar a injeção! Ele estará se expressando incorretamente. A criança não DESEJA tomar a injeção. Ela também não pode querer, pois, ela não entende a razão disso. Logo o Desejo tem caráter emocional (KAMA) e o ato volitivo exige pensar (MANAS).

O esoterismo chama a ALMA Humana de KAMA-MANAS. Ou Emoção e Mente. Evoluir é simbolicamente representado pelo Cavaleiro (MANAS) que dirige o cavalo (KAMAS).

A Vontade tem como premissa a razão e o raciocínio. O Desejo depende de um impulso de repelir ou atrair um sentimento que nos agrade, ou não, seja ele no momento certo ou errado. Não estamos tratando aqui de um sentimento movido por interesses altruístas, ou proveniente do Espírito que conduz a Mônada em sua jornada.

Vontade se liga ao verbo querer e não desejar. Quantos jovens não travam uma batalha interna, quando desejam ir à praia, enquanto ao mesmo tempo, querem estudar para cumprir suas metas e objetivos (sabem que é preciso). Dessa escolha depende todo o sucesso ou derrota diante das provas ditas iniciáticas, a que uma pessoa é submetida, quando resolve trilhar o caminho da Auto-Iluminação.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Relatividade que transcende a Física.

Tudo no mundo manifestado é polar e relativo. Pois, assim ele foi concebido.

Quanto mais procurarmos a Verdade de um lado ou de outro,
mais nos afastamos dela. O Absoluto ou o UM se reveste sempre
do número 3, para então fazer-se 2.

Falsamente 2, porque na verdade é sempre 3, já que para
cada dupla de pólos, existe sempre o equilíbrio que os sintetiza.

Por isso as religiões têm a sua Santíssima Trindade, desde os Egípcios com Osiris, Isis e Horus. Pai, Mãe e Filho Cósmicos. É o Ternário que representa a Unidade Absoluta.


Bem-Aventurança

Bem-Aventurança
Divina Comédia - Gustave Doré