sexta-feira, 20 de março de 2015

A hemoglobina e a polaridade ou o simpático e o parassimpático.

O Universo luta pelo equilíbrio através da polaridade que o desequilibra. O Universo só existe porque foi polarizado. Parece um contrassenso.

Poderíamos resumir de forma simplista que o objetivo da vida é buscar o equilíbrio, ou em outras palavras a neutralidade. Essa neutralidade não significa passividade, significa total controle da polaridade.

Somos forçados desde nossa geração – digamos somente para simplificar, que tudo começa na geração do embrião no útero – a lutar entre forças opostas e vencer a inércia a todo e qualquer movimento ou ação. Luta-se muito no inicio, para nascer, viver ou sobreviver e depois também para nosso aprimoramento físico, emocional, mental e espiritual.

Na luta entre os extremos, com muita frequência visitamos suas residências, indo como pêndulos à direita ou à esquerda, da euforia à depressão, da alegria à tristeza, da escassez ao excesso, etc.

Esse movimento pendular, oscilatório, provoca após a inclinação para um lado, a reação imediatamente contrária, para o lado oposto, sempre regida por leis físicas, emocionais, mentais e espirituais, sendo essas últimas; as leis do espírito, mandatórias e superiores às outras, na medida em que as Leis Universais se subordinam às Leis Espirituais ou Divinas. A essa reação chama-se Karma. Que enfim não é necessariamente bom nem mau, senão apenas justo e compensatório.

Se pensarmos que antes do big-bang ou seja lá qual for o momento que preceda a origem do universo, havia algo, seja esse algo nominável ou não, seja um caos absoluto, um nada absoluto ou um tudo absoluto, uma coisa é certa, ele estava em equilíbrio. Como o representa o número zero. Pode-se multiplicar qualquer coisa por ele, que ele se mantém inalterado.

Desta forma o Universo vem de um equilíbrio estático a buscar um equilíbrio dinâmico. Falamos de universo, mas igualmente podemos falar dos homens.

Um vidro hermeticamente fechado contendo um líquido na temperatura ambiente evapora? Aparentemente não, mas na verdade sim. Porém, estando no ambiente fechado como não se altera a concentração de seus componentes (massas), ocorre a evaporação e na mesma medida a condensação de tal forma que parece não evaporar.

Um químico francês chamado Henry Louis Le Chatelier desenvolveu um princípio que hoje leva o seu nome e que trata de como prever o que irá acontecer a um sistema em equilíbrio quando for perturbado por algo que o leve ao desequilíbrio.

Seu trabalho conclui que quando um sistema em equilíbrio é perturbado ele reage automaticamente no sentido de anular esse efeito que o perturbou, procurando retornar ao equilíbrio primordial.

Quimicamente são 3 os vetores que podem alterar o equilíbrio: temperatura, composição dos participantes da solução e a pressão do sistema.

Por exemplo: se numa reação química aumenta a concentração de um participante a reação aumenta no sentido que ele é consumido, e se ele diminui aumenta no sentido que é produzido. Se a temperatura aumenta, aumenta a reação que produz consumo do calor e no caso de redução aumenta a reação que produz calor.

Ainda falando de química e equilíbrio, o monóxido de carbono, gás inodoro e incolor produzido pela queima parcial de, por exemplo, combustível fóssil ou lenha, se inalado, ao chegar ao sangue une-se de forma muito mais estável com a hemoglobina do que o oxigênio ou gás carbônico. Assim liga-se a hemoglobina tão fortemente, que esta não consegue mais transportar o oxigênio ou o gás carbônico responsáveis pelo processo da respiração e da vida.

O CO (Monóxido de carbono) existe livre na atmosfera. As moléculas de CO que inalamos e acabam por inutilizar as hemácias presas a elas são então destruídas pelo baço e pelo fígado, mas, à partir de uma certa concentração esses dois órgãos não conseguem dar conta e começam sintomas que vão de tonturas à morte em pouco tempo.

Fica evidente que nosso corpo físico está equipado para resistir aos nossos desequilíbrios e tentar reequilibrá-lo, mas se exagerarmos no movimento pendular comprometemos o equilíbrio do sistema. E tudo isso funciona sem que nos demos conta.

Se sentirmo calor transpiraremos para esfriar e se estiver muito frio iremos tremer para esquentar. Os sistemas nervosos autônomos, simpático e parassimpático controlam muitas funções do organismo como batimento cardíaco, pressão arterial ou nível de CO2 no sangue, sem que percebamos. Se o equilíbrio psico-mental no homem estivesse 100% tudo isso funciona às mil maravilhas (ou seria 1001?). Já do contrário, como é comum nessa vida atribulada que levamos, esse compensador automático biológico pode desregular-se e daí advém as doenças. Como disse o médico inglês Edward Bach, " não existem doenças e sim doentes". Só essa frase já vale uma reflexão e tanto.

Assim, quimicamente, fisicamente, biologicamente, astronomicamente, "qualquercoisamente", a busca pela neutralidade parece ser uma condição incontornável no Universo.

Deixe uma lavoura abandonada que em breve o mato tomará conta, buscando um ponto de equilíbrio com muitas espécies diferentes. Parece que ele busca o Caos. A natureza sozinha aumenta o grau de entropia. A entropia absoluta gera o Caos absoluto e caos absoluto gera equilíbrio. Equilíbrio absoluto estático.

O homem na natureza a organiza  e reorganiza (ao menos deveria) e deve buscar o equilíbrio dinâmico. Como é dinâmico, depende de ação contínua e do desprendimento de energia. Perde energia, mas ganha Consciência. 

Como disse um grande Mestre: "Viver é transformar vida energia em vida Consciência".






quarta-feira, 18 de março de 2015

"A Lente de Einstein".


Recentemente o telescópio espacial Hubble acusou a mesma supernova (nem tão nova assim, já que ocorreu a 9 bilhões de anos atrás), em 4 diferentes posições diferentes no espaço. Ou seja, como poderia essa explosão causada pela estrela em colapso estar ao mesmo tempo em 4 posições diferentes do céu?

Segundo Einstein isso se dá pela curvatura do espaço-tempo causada por uma massa gravitacional muito grande posicionada entre a supernova e o observador na Terra.

Assim, se pensarmos que existam infinitas estrelas no universo e que entre nós e elas deve haver muitas outras estrelas e galáxias supermassivas, é de se esperar que milhares ou milhões de estrelas, que atualmente vemos não estejam na sua posição em que a precisamente enxergamos. Até mesmo seu tamanho se altera pelo efeito da lente de Einstein. Não fosse assim, talvez a supernova em questão nem teria sido notada.

Associando-se ao fato acima, que a estrela explodindo observada pelo Hubble está a 9 bilhões de anos luz da Terra. Portanto, sua luz ou sua explosão que hoje vemos, ocorreu a 9 bilhões de anos atrás, quando nem a Terra existia (segundo a ciência a Terra teria 4,5 bilhões de anos).

Acho que você amigo leitor já depreendeu aonde quero chegar. O céu que vemos, não é o que existe nesse exato momento em todo o universo, embora o tempo-espaço se modifique com as massas, etc. O que vemos do céu na sua quase totalidade já aconteceu a muitos milhões de anos. Até mesmo o Sol que vemos "era como ele era" há 8 minutos. Além dessa perspectiva temporal entra a posicional, como vimos, alterada pela lente gravitacional.

Enfim o macrocosmo se comporta como o microcosmo, na medida em que "o que está embaixo se corresponde ao que está em cima e vice-versa", como ensinou Hermés, o Três vezes Ungido. qual a relação com o tema?

O físico alemão Heisenberg em 1927 propôs uma teoria batizada de “princípio da incerteza”. Resumindo, ele disse que era ou ainda é, impossível determinar a velocidade de deslocamento de um elétron (ou partícula subatômica) e a exata posição que ocupa, ao mesmo tempo ou simultaneamente. Por mais preciso que seja o equipamento a ação de medida de uma das grandezas deforma a outra. Ou fazendo analogia; o que “enxergamos” no mundo subatômico não é absolutamente verdadeiro.

Então o que é absolutamente verdadeiro?

Voltando a Einstein e sua teoria geral da relatividade, nada no universo é absoluto. Tudo é relativo, portanto, aplica-se sempre o verbo depender. Tudo depende do referencial ou do observador. No caso acima, de nós. Somos o referencial ou os observadores.

Se depende de nós, quando teremos oportunidade de ver a clareza total da realidade escondida nos véus da deusa Maya hindu? 

"Decifra-me ou eu te devoro" ameaçava a inscrição na Esfinge egípcia. Pois é, até lá tem muito chão. Mas, é de grão em grão que a galinha enche o papo... ou ...Rectificando Invenies Omnia Lapidem.

Seria a clareza absoluta revelada, digo, desvelada, quando houver o colapso do nós no Eu?


Fica ai a pergunta para reflexão, que deixo também para meu amigo R.G. quando em certas tertúlias travadas durante o almoço; estas ensejam, às vezes, temas para desenvolver neste blog. Peripatéticos momentos...

Bem-Aventurança

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Divina Comédia - Gustave Doré