O pensamento filosófico e o pensamento racional nem sempre
são idênticos na sua natureza. Acredito que haja um terceiro tipo de pensamento, que embora
seja racional, do raciocínio mesmo, ele se utiliza muito pouco. São as mentes que mentem
em função de serem escravas dos sentimentos ou emoções. É o caso onde o cavalo
é a emoção e a mente o cavaleiro, mas o cavalo é quem comanda e leva o
cavaleiro onde ele bem desejar.
Voltando aos dois primeiros, o pensamento tradicional
científico, tem sua fundamentação na lógica, no silogismo, na apuração da
verdade baseando-se em suposições, análises e fundamentações, experimentações e
então conclusões.
O pensamento filosófico, que via de regra precede ao
científico é um tanto mais amplo, pois deve considerar premissas, que nem
sempre podem ser testadas e onde a lógica à vezes não alcança, justamente por
falta do conhecimento das leis que regem determinado objeto do conhecimento.
Ele vai além dos aparentes vínculos lógicos.
No caso da filosofia além da razão, a analogia é uma
importante ferramenta, para que através de comparações com coisas semelhantes
possamos ir lentamente formando um conceito mais sólido até que ele possa ser
submetido ao cartesiano processo do método científico.
Entendo que é imprescindível uma mente aberta e destituída
de pré-conceitos (grafado assim propositalmente), para que novas descobertas
surjam a partir de pensamentos, meditações reflexões, todas elas bem nutridas
por um ecletismo necessariamente bem servido.
Tomemos por base a física moderna que desde Einstein vem
adentrando muito no pensamento filosófico, buscando explicações e teorias que
justifiquem os efeitos observados. Pessoalmente não acho errado, já que a
filosofia flexibiliza a mente muito mais para a intuição do que o raciocínio, já
que este é modulado pelas regras pré-estabelecidas conhecidas. E embora
intuição seja algo muito mais filosófico do que científico, é fato que existe e
é fato que traz a mente, muitas vezes, a ideia luminosa que o raciocínio comumente
persegue, justamente quando este não está mais focado no assunto em questão.
Em termos de informática diríamos que é como se um programa
estivesse sendo executado em "batch" (num segundo plano), ou se houvesse uma
outra área da memória e do cérebro, que continuasse a pensar no assunto mesmo
quando não estejamos pensando nele. Parece coisa de maluco, não? Acho que não. Porque tenho certeza, que muitos que estão
dedicando um tempo para ler esse texto, já tiveram a resposta a algum problema
quando não estavam pensando nele no momento da “eureca” salvadora.
Quem já passou por isso entende a estranha situação de
pensar quando não se está pensando.
Cérebro?
Magnifico transdutor físico de algo que lhe comanda. ´
Imaginem um índio que nunca teve qualquer contato com a civilização
e viva totalmente selvagem (como se imaginaria um índio). Ai um dia, esse índio
encontra na selva uma caixa acústica (sem fio), e que quando se aproxima dela,
esta fala com ele na sua língua.
No mínimo ele se assusta e vai considerá-la algo consciente,
deífico, demoníaco...
Se ele tivesse um pouco de ciência iria dissecá-la e
observar suas atividades quando alguém distante fala por ela, sem que ele o saiba.
Enquanto não descobrir que existe um homem falando num microfone com
transmissão via rádio, etc., a caixa acústica vai ser o “cérebro”.
Ele estaria errado? Não, do ponto de vista dele e do seu
nível de conhecimento ou ignorância. Só que sim, estaria errado, pois, a caixa
é um mero transdutor da comunicação. A caixa não é o sujeito e sim o predicado,
melhor dizendo, o objeto.
Na nossa gramática existe a figura do sujeito oculto. É
oculto, mas é sujeito e existe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário