quarta-feira, 18 de março de 2015

"A Lente de Einstein".


Recentemente o telescópio espacial Hubble acusou a mesma supernova (nem tão nova assim, já que ocorreu a 9 bilhões de anos atrás), em 4 diferentes posições diferentes no espaço. Ou seja, como poderia essa explosão causada pela estrela em colapso estar ao mesmo tempo em 4 posições diferentes do céu?

Segundo Einstein isso se dá pela curvatura do espaço-tempo causada por uma massa gravitacional muito grande posicionada entre a supernova e o observador na Terra.

Assim, se pensarmos que existam infinitas estrelas no universo e que entre nós e elas deve haver muitas outras estrelas e galáxias supermassivas, é de se esperar que milhares ou milhões de estrelas, que atualmente vemos não estejam na sua posição em que a precisamente enxergamos. Até mesmo seu tamanho se altera pelo efeito da lente de Einstein. Não fosse assim, talvez a supernova em questão nem teria sido notada.

Associando-se ao fato acima, que a estrela explodindo observada pelo Hubble está a 9 bilhões de anos luz da Terra. Portanto, sua luz ou sua explosão que hoje vemos, ocorreu a 9 bilhões de anos atrás, quando nem a Terra existia (segundo a ciência a Terra teria 4,5 bilhões de anos).

Acho que você amigo leitor já depreendeu aonde quero chegar. O céu que vemos, não é o que existe nesse exato momento em todo o universo, embora o tempo-espaço se modifique com as massas, etc. O que vemos do céu na sua quase totalidade já aconteceu a muitos milhões de anos. Até mesmo o Sol que vemos "era como ele era" há 8 minutos. Além dessa perspectiva temporal entra a posicional, como vimos, alterada pela lente gravitacional.

Enfim o macrocosmo se comporta como o microcosmo, na medida em que "o que está embaixo se corresponde ao que está em cima e vice-versa", como ensinou Hermés, o Três vezes Ungido. qual a relação com o tema?

O físico alemão Heisenberg em 1927 propôs uma teoria batizada de “princípio da incerteza”. Resumindo, ele disse que era ou ainda é, impossível determinar a velocidade de deslocamento de um elétron (ou partícula subatômica) e a exata posição que ocupa, ao mesmo tempo ou simultaneamente. Por mais preciso que seja o equipamento a ação de medida de uma das grandezas deforma a outra. Ou fazendo analogia; o que “enxergamos” no mundo subatômico não é absolutamente verdadeiro.

Então o que é absolutamente verdadeiro?

Voltando a Einstein e sua teoria geral da relatividade, nada no universo é absoluto. Tudo é relativo, portanto, aplica-se sempre o verbo depender. Tudo depende do referencial ou do observador. No caso acima, de nós. Somos o referencial ou os observadores.

Se depende de nós, quando teremos oportunidade de ver a clareza total da realidade escondida nos véus da deusa Maya hindu? 

"Decifra-me ou eu te devoro" ameaçava a inscrição na Esfinge egípcia. Pois é, até lá tem muito chão. Mas, é de grão em grão que a galinha enche o papo... ou ...Rectificando Invenies Omnia Lapidem.

Seria a clareza absoluta revelada, digo, desvelada, quando houver o colapso do nós no Eu?


Fica ai a pergunta para reflexão, que deixo também para meu amigo R.G. quando em certas tertúlias travadas durante o almoço; estas ensejam, às vezes, temas para desenvolver neste blog. Peripatéticos momentos...

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