terça-feira, 11 de agosto de 2009

Inércia Ativa e Passiva

Inércia é um conceito dentro da Física, que significa a resistência que determinado objeto oferece à aceleração ou ao movimento, ou quimicamente, a propriedade que uma substância possui de não reagir com outra. Em sentido figurado exprime falta de reação, estagnação, abatimento, apatia, indolência, etc.


Dentro do estudo teosófico a Inércia pode ser separada em duas facetas bastante distintas: a inércia ativa e a inércia passiva.


Chamemos de inércia ativa a que é provocada pelas leis naturais, físicas, químicas, etc. Ou seja, aquela que é sustentada por uma ação volitiva. É obvio para um estudante de teosofia ou esoterismo, que a Natureza obedece à ação da Vontade da Lei que a rege, e esta por sua vez, se submete a uma maior que é a Lei Universal e esta obedece à Lei Divina que a tudo e a todos rege. A esta Lei as religiões dão o nome de Deus.


Exemplificando: o que relativamente podemos chamar de inércia ativa é a hibernação de urso durante o período de inverno. É uma pausa involuntária (se nos for possível dizer assim) para o urso, porém, voluntária para a Natureza.


No período de inverno (a Kali-Yuga do Ano) a natureza entra num período de descarte e descanso. Os alimentos escasseiam e o urso, no caso, precisa descansar ou hibernar, para que seu metabolismo regido pela mesma Mãe entre num regime de “inércia” e desta forma sobreviva ao período de inverno apenas com a energia (em forma de gordura) acumulada anteriormente. Esse é um exemplo de inércia provocada pela Vontade (da Natureza) para propiciar a evolução do urso, como exemplo, sem nos esquecermos de toda fauna e flora que regra geral, segue esse ritmo, ainda que haja exceções.


No homem isto também ocorre. Após um dia de trabalho o homem normal precisa dormir, repousar, entrar num período de inércia do seu corpo físico, para repor certas energias e restaurar o equilíbrio perdido, por pensamento errados, atitudes incorretas e mesmo alimentação desajustada durante o dia. A essa inércia noturna chamemo-la de Inércia Ativa. Novamente essa é “imposta pela Natureza” (aqui uma meia-verdade), embora a vontade do homem possa adiá-la, dificilmente poderá impedí-la.


Dentro do ciclo evolutivo existem Pralayas e Manuântaras, ou como chama o oriental: Noites e Dias de Brahma. Descanso e Atividade. A natureza respeita esse ritmo necessário à Evolução.


No homem, devido ao pensamento, esse ciclo pode ser distorcido, pois, ao homem foi concedido o livre-arbítrio, diferentemente dos demais reinos inferiores da natureza. Com sua mente o homem pode criar seus próprios Pralayas e Manuântaras, que se não estiverem de acordo com as necessidades evolutivas de sua Alma, irão gerar Karma negativo.


Como estamos tratando da inação e não da ação, falemos da atitude do homem que deixa de agir quando devia, criando assim o que chamamos de Inércia Passiva. Quem a provoca é o homem e não a Natureza. Também não é a Vontade do indivíduo que a dirige, mas o Desejo de suas paixões inferiores que o conduz à prostração (vide artigo sobre Vontade e Desejo). Por exemplo: um jovem sabe que precisa estudar, mas prefere ficar dormindo à tarde ou como se diz, ficar sem fazer nada. Como premio dessa ação virá a reação em seu boletim e a conseqüente decepção, pois, ele tomou uma decisão errada. Inércia Passiva.


Mesmo na guerra, sabe o bom militar que há momentos de recuo ou descanso estratégico e momentos de ação ou ataque. Se ele não souber distinguir bem isso, o fracasso rondará a sua tenda.


Na vida o mesmo se dá, pois o homem deve a todo custo evitar a Inércia passiva e utilizar-se sempre que preciso da Inércia Ativa. Para fazer pão a massa tem que “descansar”, nem pouco tempo, nem tempo em demasia, senão o pão não ficará bom.


Esse é o grande dilema do candidato à Iniciação. Saber quando agir, saber quando esperar. Quem dita a resposta? A razão e o raciocínio, mas principalmente a Consciência Espiritual do indivíduo, que quando alcançada responde sempre corretamente. Ainda que a resposta não seja o que se quer ouvir, mas é o que se deve fazer.


Não é a morte o Pralaya da vida? Seguido de um novo Dia de Brahma a cada ronda da sua evolução?

Quando o Homem executa seu Pralaya e Manuântara em consonância com as Leis superiores ele encontra o Equilíbrio entre Mente e Emoção, entre Kama-Manas e desta forma a Felicidade perene, que muitos procuram fora do homem e quando a encontram (fora) ela logo foge em disparada.


Agir e não agir e agindo sem agir. Atuando quando se deve e não quando se deseja. Eis o segredo da superação que a natureza confidencia aos ouvidos de quem nela presta a devida atenção e reflexão.

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