Religião provém do latim religare, que significa unir ou reatar. Reatar um vínculo perdido. Neste escopo específico ambas, Iniciação e Religião se aproximam.
A Religião trabalha sustentada por crenças e dogmas, que via de regra não devem ser desafiados. Religião enfoca mais aspectos místicos e morais do que intelectuais, enquanto Iniciação não prescinde nem de um, nem do outro.
Iniciação baseia-se em conhecimentos, conceitos e práticas, que devem ser submetidas ao crivo da razão. O processo de análise do conhecimento compreende tanto o silogismo (lógica) como o analogismo. Ambos devem ser frutos de uma meditação (não contemplação) dedicada, que executada da forma correta, leva o indivíduo a ter a compreensão de fatos de nosso mundo, ou entendimento profundo de conhecimentos revelados de uma forma, digamos, intuitiva, para quem perscruta a Verdade sem pré-conceitos ou preconceitos mal formados. Pior que mal formados, mal pensados, se podemos expressar assim.
O conhecimento meditado é a chave da compreensão. Compreensão não exprime bem o que seja tomar Consciência de algo. É muito alem da crença comum. É quase tornar-se um com o objeto analisado. É uma forma de pensamento envolvente, expansivo e que permeia os vazios que a nossa mente racional comum não consegue fazê-lo.
Rituais teúrgicos ou liturgia religiosa, ambos são o suporte para que o homem desenvolva seu lado místico (mística, não misticismo). A Mística a que nos referimos é o Amor transcendente, Amor altruísta. Sentimento ligado à compaixão sem abrir mão da justiça.
Helena P. Blavatsky já dizia, não há religião superior à Verdade. A obtenção dessa Verdade vem do trabalho interno, da mudança de comportamento, da busca pela perfeição. Quanto mais se avança nesse caminhar, quanto mais se equilibra Mente e Emoção, mais cristalina e pura elas se tornam. É como um lago que se acalma e transformando-se num espelho da Alma, passa a refletir o Céu com perfeição.
Isso é religar. Unir ou reunir o homem com o Deus interno, não pela crença, mas pela Consciência.
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